quinta-feira, 7 de outubro de 2010

INTENÇÃO MISSIONÁRIA DO MÊS DE OUTUBRO DE 2010

“Para que a celebração do Dia Mundial das Missões seja uma ocasião para compreender que a tarefa de anunciar Cristo é um serviço necessário e irrenunciável que a Igreja é chamada a desempenhar em favor da humanidade”.

Em certos ambientes contemporâneos, pretende-se apresentar a ação missionária da Igreja como uma atividade desnecessária, como algo que oprime a liberdade de consciência dos outros homens. Se alguém pode se salvar sendo fiel à sua consciência, à religião do ambiente onde nasceu, por qual motivo anunciar o Evangelho?

O Papa lembra-nos que a tarefa de anunciar Cristo é um serviço necessário e indispensável que a Igreja é chamada a desempenhar, como um serviço à humanidade. Jesus Cristo é a plenitude da revelação de Deus, o Caminho, a Verdade e a Vida, e todos os homens têm o direito de ouvir este anúncio.

Por meio da atividade missionária, a Igreja propõe a luz de Deus que ela recebeu, sem impô-la a ninguém. Propor a não é impor. O mandato do Senhor permanece válido para sempre: “Ide pelo mundo e proclamai o Evangelho.” É parte essencial da natureza da Igreja a sua dimensão missionária. A Igreja deixaria de ser aquilo que Cristo quer que ela seja, se deixasse de anunciar a Salvação de Deus aos homens. Ao mesmo tempo, este anúncio é uma exigência profunda de conversão para a própria Igreja.

Bento XVI afirma que o mandato missionário “não se pode realizar de forma crível, sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral" (Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2010). Anunciar o Evangelho torna-se grande responsabilidade, porque os cristãos não podem levar este anúncio como “patrões”, como “proprietários” da verdade que anunciam, mas como servos dela, à qual entregam suas vidas, visto que descobrem nela o amor de Deus. “Como os peregrinos gregos de dois mil anos atrás, também os homens do nosso tempo, talvez não sempre conscientemente, pedem aos fiéis não apenas para ‘falar’ de Jesus, mas para ‘mostrar’ Jesus, fazer brilhar o rosto do Redentor em todos os cantos da terra diante das gerações do novo milênio, e especialmente diante dos jovens de cada continente, destinatários privilegiados e sujeitos do anúncio do Evangelho. Eles devem perceber que os cristãos levam a Palavra de Cristo, porque Ele é a Verdade, porque encontraram n’Ele o sentido, a verdade para as suas vidas” (Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2010).

Não podemos ser anunciadores sem antes sermos fiéis que vivem com coerência a mensagem que anunciam. O Cristianismo não é uma ideologia, mas um encontro vital com Cristo, o Filho do Deus vivo. “Só a partir deste encontro com o Amor de Deus, que muda a existência, podemos viver em comunhão com Ele e entre nós, e oferecer aos irmãos um testemunho crível, dando razão da esperança que existe em nós” (cf. 1Pd 3,15 – Ibid.). Maria, Mãe de Deus e Rainha dos Apóstolos, ajude com seu afeto maternal o impulso missionário dos discípulos de Cristo, para que todos os homens possam conhecer o amor de Deus manifestado em Cristo Jesus.

Fonte: Agência Fides

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

INTENÇÃO MISSIONÁRIA DO MÊS DE AGOSTO 2010

A fim de que a Igreja seja a “casa” de todos, pronta a abrir as suas portas aos que são obrigados pelas discriminações raciais e religiosas, pela fome e pelas guerras a emigrar para outros países.

Um dos problemas que mais pressionam o homem contemporâneo é o sentido da solidão. Entre a multidão que percorre as grandes cidades, perde-se o interesse pela pessoa. Assim, muitas pessoas fazem experiência da solidão, do abandono, mesmo se circundadas por centenas de seres humanos. Este problema é particularmente vivido pelos imigrantes, aqueles que devem abandonar suas casas e seus países de origem, movidos pela brutalidade da guerra, pela discriminação, pelo racismo ou pela intolerância de uma religião imposta, ao contrário de sua consciência.

Faz parte do próprio ser da Igreja ter um sentido de “família de Deus”, ainda mais, um sentido de “casa”. A “casa” é o lugar onde cada pessoa se sente amada, valorizada por aquilo que é. Dizer “casa” é dizer o calor humano, a experiência de maternidade. Muitas vezes é a mãe, com seu amor materno, que transforma uma casa num lar. A Igreja, como Mãe Santa, deve ser “casa” para todos os seus filhos, especialmente os mais necessitados.

Deve sempre ressoar em nossos ouvidos as palavras do Mestre: “O que você fizer a um desses meus irmãos pequeninos, a mim o faz.” “A realidade da imigração cria na pessoa que a enfrenta duras condições de impotência, insegurança, falta do necessário. Muitas vezes, unem-se a isso as limitações decorrentes de barreiras linguísticas, falta de emprego, etc. A posição de fraqueza e necessidade, muitas vezes desesperada, torna o imigrante capaz de ser manipulado. Muitas vezes, eles sofrem abusos no trabalho. Não devemos esquecer que o imigrante é uma pessoa humana, com direitos fundamentais, inalienáveis, que todos devem respeitar sempre.” (Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante 2010).

E “dever de todos nós apresentar um rosto da Igreja que reflita realmente a face de Cristo. Um rosto materno que seja expressão da bondade misericordiosa de nosso Deus. Em sua encíclica Deus Caritas Est, o Papa Bento XVI falou muito claramente sobre o exercício da caridade na Igreja. “A Igreja é a família de Deus no mundo. Nessa família ninguém deve sofrer por falta do necessário. Ao mesmo tempo, a cáritas-ágape estende-se para além das fronteiras da Igreja, a parábola do Bom Samaritano permanece a norma que impõe a universalidade do amor para com o necessitado encontrado “por acaso” (cf. Lc 10,31), seja ele quem for. Para além desta universalidade do mandamento do amor, existe também uma exigência especificamente eclesial: a de que na própria Igreja, como família, nenhum membro sofra, porque passa por necessidade” (DCE 25b).

Falando dos primeiros sete diáconos, o Papa constata que esse grupo “não deveria realizar um trabalho puramente técnico de distribuição: deveriam ser homens “cheios do Espírito e de Sabedoria” (cf. At 6,1-6). Isto significa que o trabalho social que tinham de realizar era absolutamente concreto, mas ao mesmo tempo era, sem dúvida, também um serviço espiritual, que realizava uma tarefa essencial da Igreja, a do amor bem ordenado ao próximo” (DCE 21). Não se trata de um serviço puramente social, mas de uma expressão da caridade sobrenatural da Igreja.

Peçamos à Maria, nossa Mãe, que nos ajude a ser verdadeiramente o rosto materno da Igreja, como expressão do amor de Deus para todos os homens. A Mãe de Deus teve de emigrar para o Egito, a fim de defender a vida da Vida, e experimentou as dificuldades e necessidades dos migrantes. À sua materna intercessão, confiamos todos os nossos irmãos que tiveram de abandonar suas pátrias, para que os guarde para a pátria eterna.

Fonte: Agencia Fides

segunda-feira, 21 de junho de 2010

I CONGRESSO MISSIONÁRIO NACIONAL DE SEMINARISTAS


A formação missionária dos futuros padres é uma das preocupações do Conselho Missionário Nacional (Comina) e da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados da CNBB, que promovem, de 4 a 10 de julho, o primeiro Congresso Missionário exclusivamente para seminaristas e formadores dos futuros padres. O Congresso, que será acolhido pelo Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, reunirá 150 seminaristas a partir do 3º ano de filosofia e 50 formadores.

A abertura do Congresso será no dia 4, às 19h, com missa presidida pelo secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa. “O objetivo do congresso é ajudar os seminaristas do Brasil a assumir a dimensão missionária universal da vocação cristã e presbiteral”, explica o diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM), padre Daniel Lagni.

O Congresso vai discutir o tema “formação presbiteral para uma missão sem fronteiras”. “Por ocasião do Ano Sacerdotal, pareceu-nos oportuno promover um evento que fosse avaliação da caminhada feita e articulação, reflexão, compromisso e avanço em vista de uma formação presbiteral profundamente missionária”, acrescenta padre Daniel.

Uma cartilha foi elaborada pelos organizadores do Congresso e deverá ser estudada previamente pelos seminaristas que se inscreveram para o Congresso. Cartazes também foram distribuídos por todos os regionais da CNBB, divulgando o evento.

O evento é organizado pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), Centro Cultural Missionário (CCM) e pelas Comissões Episcopais para Animação Missionária e para os Ministérios Ordenados, ambas da CNBB. As entidades contam com o apoio da paróquia Divino Espírito Santo, de Brasília.

Fonte: CNBB

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Xaverianos contestam relatório da ONU sobre guerra congolesa


Os missionários xaverianos na República Democrática do Congo manifestaram seu repúdio a um relatório das Nações Unidas destinado ao Conselho de Segurança. O documento trata do embargo de armas destinadas aos grupos armados que atuam no leste e sobre a exploração ilegal dos recursos minerais.

Apesar de "estritamente confidencial", muitos órgãos de imprensa publicaram trechos do relatório, em que associações humanitárias e indivíduos, missionários inclusive, teriam contribuído para financiar as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR). O relatório faz referência a uma ajuda de dois dólares de dois missionários italianos para a compra de telas de plástico para os tetos de cabanas improvisadas, de remédios e material didático.

"É prioritário olhar para o grande número de refugiados civis, um povo errante que há 15 anos vagueia e sobrevive nas florestas. Cercado pela guerra e esquecido pelas organizações humanitárias internacionais, incluindo a ONU, os refugiados civis não tinham realmente nenhum direito à assistência? Segundo a lógica do relatório, portanto, deveriam deixar esta gente morrer de fome, de frio e de doenças somente porque estão na área dos vencidos?" - afirma uma nota divulgada ontem pela Casa Geral dos Xaverianos.

"A imprensa dedicou muitas linhas a esses últimos casos, extrapolando os fatos do contexto e interpretando-os de modo grosseiro e tendencioso. Pergunta-se o porquê disso. Não há o risco de descarregar nos missionários e nas pequenas associações humanitárias a constrangedora e escandalosa participação de conhecidas sociedades mineradoras e governos ocidentais, e mais, na perversa combinação de exploração ilegal dos recursos, comércio clandestino de armas, estratégias geopolíticas e continuação do conflito?" – reagem os missionários. (BF)

Fonte: Radio Vaticano

domingo, 15 de novembro de 2009

INTENÇÃO MISSIONÁRIA PARA O MÊS DE NOVEMBRO - 2009

“Que os fiéis das diversas religiões, com o testemunho de vida e mediante um diálogo fraterno, dêem uma clara demonstração que o nome de Deus é portador de paz”



Comentário sobre a Intenção missionária, indicada pelo Santo Padre para o mês de novembro de 2009


A paz é um dos valores que o nosso mundo mais necessita. Os conflitos bélicos sucederam-se no último século, como nunca tinha acontecido em nenhuma outra época da história. Morte, destruição, divisão e ódio são os frutos terríveis deste flagelo. A violência gera violência, e os homens destroem-se uns aos outros. O homem contemporâneo busca a paz e tem necessidade dela, para se reconstruir interiormente.

Os fiéis devem ser portadores de paz, porque Deus é o Deus da paz. Não poderá existir esta paz, se cada um se preocupar exclusivamente com seus próprios interesses e não trabalhar para o bem comum. Na sua visita à Terra Santa, em maio deste ano, o Papa Bento XVI recordou que a paz é antes de tudo um dom divino, que deve ser buscado com todo o coração. Desta afirmação entende-se que a paz deve ser implorada, pedida, pois é um dom divino, e ao mesmo tempo deve também ser buscada, pois ela exige o esforço dos homens. Jesus chama “bem-aventurados” e autênticos filhos de Deus os que trabalham pela paz.

O Concílio Vaticano II, falando das outras religiões, na declaração Nostra Aetate, afirma: “A Igreja Católica não rejeita o que tem de verdadeiro e santo nessas religiões. Ela considera com sincero respeito seu modo de agir e de viver, os preceitos e as doutrinas que, embora se diferenciem em muitos pontos daquilo em que ela mesma crê e propõe, não raramente refletem um raio daquela verdade que ilumina todos os homens. Todavia, ela anuncia e deve anunciar o Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), no qual os homens devem encontrar a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas” (NA 2).

No diálogo com as outras religiões, a Igreja não pretende tornar relativas as verdades definitivas da revelação divina que recebeu. Não pretende apresentar o Cristo como um caminho de salvação entre outros. De fato, não nos foi dado sob o céu nenhum outro nome pelo qual possamos ser salvos. Mantendo esta unicidade da mediação salvífica do Cristo, a Igreja, no entanto, “exorta seus filhos, para que, com prudência e caridade, por meio do diálogo e da colaboração com os seguidores de outras religiões, dando testemunho da fé e da vida cristã, reconheçam, conservem e façam progredir os valores espirituais, morais e socioculturais que se encontram nelas” (NA 2).

Para o Papa Bento XVI, “a contribuição particular das religiões na busca da paz fundamenta-se antes de tudo na busca entusiasta e concorde de Deus” (visita de cortesia ao presidente do Estado de Israel em 11 de maio), pois é a presença dinâmica de Deus que reúne os corações e assegura a unidade.

Voltando de sua peregrinação à Terra Santa, encontrando os jornalistas no avião, o Santo Padre afirmou: “Encontrei em todos os lugares, em todos os ambientes, muçulmanos, cristãos, judeus, uma decidida disponibilidade ao diálogo interreligioso, ao encontro, à colaboração entre as religiões. É importante que todos vejam isto não apenas como uma ação – digamos – inspirada por motivos políticos, mas como fruto do próprio núcleo da fé, porque crer em um único Deus que nos criou a todos, Pai de todos nós, crer neste Deus que criou a humanidade como uma família, crer que Deus é amor e quer que o amor seja a força dominante no mundo, implica este encontro, esta necessidade do encontro, do diálogo, da colaboração como exigência da própria fé” (vôo papal em 15 de maio).

Na ordem social, a paz implica a busca da justiça, da integridade e da segurança. Para promover estes valores existe um único caminho possível, que é vivê-los. O Papa afirmou que para construir a paz é necessário “olhar o outro nos olhos e reconhecer o ‘tu’ como meu semelhante, meu irmão, minha irmã” (visita de cortesia ao presidente do Estado de Israel em 11 de maio). Se os fiéis viverem em paz e procurarem a paz, a sociedade se transformará.

Um valor fundamental para construir a paz é o perdão. Somente quem tem a força e a humildade de perdoar pode ser arauto da paz. O rancor gera divisão interior e violência. O perdão gera a paz interior, reconstrói o homem e torna-o forte, à imagem do Deus Onipotente, que é misericórdia e perdão.

Na nossa oração deste mês, pedimos, portanto a Santa Maria, mãe de todos os homens, Rainha da Paz, que interceda pelos seus filhos, para que a busca sincera “de tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável” faça que “o Deus da paz” esteja sempre conosco (cf. Fl 4,8-9).

Fonte: Agência Fides

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL DE 2009 - (18 de Outubro)

"As nações caminharão à sua luz" (Ap 21, 24)


Neste domingo dedicado às missões, me dirijo sobretudo a vós, Irmãos no ministério episcopal e sacerdotal, e também aos irmãos e irmãs do Povo de Deus, a fim de vos exortar a reavivar em si a consciência do mandato missionário de Cristo para que "todos os povos se tornem seus discípulos" (Mt 28,19), seguindo as pegadas de São Paulo, o Apóstolo dos Gentios.

"As nações caminharão à sua luz" (Ap 21, 24). O objetivo da missão da Igreja é iluminar com a luz do Evangelho todos os povos em seu caminhar na história rumo a Deus, pois Nele encontramos a sua plena realização. Devemos sentir o anseio e a paixão de iluminar todos os povos, com a luz de Cristo, que resplandece no rosto da Igreja, para que todos se reúnam na única família humana, sob a amável paternidade de Deus.

É nesta perspectiva que os discípulos de Cristo espalhados pelo mundo trabalham, se dedicam, gemem sob o peso dos sofrimentos e doam a vida. Reitero com veemência o que muitas vezes foi dito pelos meus Predecessores: a Igreja não age para ampliar o seu poder ou reforçar o seu domínio, mas para levar a todos Cristo, salvação do mundo. Pedimos somente de nos colocar a serviço da humanidade, sobretudo da daquela sofredora e marginalizada, porque acreditamos que "o compromisso de anunciar o Evangelho aos homens de nosso tempo... é sem dúvida alguma um serviço prestado à comunidade cristã, mas também a toda a humanidade"(Evangelii nuntiandi, 1), que "apesar de conhecer realizações maravilhosas, parece ter perdido o sentido último das coisas e de sua própria existência"(Redemptoris missio, 2).

1. Todos os Povos são chamados à salvação

Na verdade, a humanidade inteira tem a vocação radical de voltar à sua origem, que é Deus, somente no Qual ela encontrará a sua plenitude por meio da restauração de todas as coisas em Cristo. A dispersão, a multiplicidade, o conflito, a inimizade serão repacificadas e reconciliadas através do sangue da Cruz e reconduzidas à unidade.

O novo início já começou com a ressurreição e a exaltação de Cristo, que atrai a si todas as coisas, as renova, as tornam participantes da eterna glória de Deus. O futuro da nova criação brilha já em nosso mundo e acende, mesmo se em meio a contradições e sofrimentos, a nossa esperança por uma vida nova. A missão da Igreja é "contagiar" de esperança todos os povos. Por isto, Cristo chama, justifica, santifica e envia os seus discípulos para anunciar o Reino de Deus, a fim de que todas as nações se tornem Povo de Deus. É somente nesta missão que se compreende e se confirma o verdadeiro caminho histórico da humanidade. A missão universal deve se tornar uma constante fundamental na vida da Igreja. Anunciar o Evangelho deve ser para nós, como já dizia o apóstolo Paulo, um compromisso impreterível e primário.

2. Igreja peregrina

A Igreja Universal, sem confim e sem fronteiras, se sente responsável por anunciar o Evangelho a todos os povos (cfr. Evangelii nuntiandi, 53). Ela, germe de esperança por vocação, deve continuar o serviço de Cristo no mundo. A sua missão e o seu serviço não se limitam às necessidades materiais ou mesmo espirituais que se exaurem no âmbito da existência temporal, mas na salvação transcendente que se realiza no Reino de Deus. (cfr. Evangelii nuntiandi, 27). Este Reino, mesmo sendo em sua essência escatológico e não deste mundo (cfr. Jo 18,36), está também neste mundo e em sua história é força de justiça, paz, verdadeira liberdade e respeito pela dignidade de todo ser humano. A Igreja mira em transformar o mundo com a proclamação do Evangelho do amor, "que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir e... deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo" (Deus caritas est, 39). Esta é a missão e o serviço que, também com esta Mensagem, chamo a participar todos os membros e instituições da Igreja.

3. Missio ad gentes

A missão da Igreja é chamar todos os povos à salvação realizada por Deus em seu Filho encarnado. É necessário, portanto, renovar o compromisso de anunciar o Evangelho, fermento de liberdade e progresso, fraternidade, união e paz (cfr. Ad gentes, 8). Desejo "novamente confirmar que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja"(Evangelii nuntiandi, 14), tarefa e missão que as vastas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Está em questão a salvação eterna das pessoas, o fim e a plenitude da história humana e do universo. Animados e inspirados pelo Apóstolo dos Gentios, devemos estar conscientes de que Deus tem um povo numeroso em todas as cidades percorridas também pelos apóstolos de hoje (cfr. At 18, 10). De fato, "a promessa é em favor de todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar "(At 2,39).

Toda a Igreja deve se empenhar na missio ad gentes, enquanto a soberania salvífica de Cristo não está plenamente realizada: "Agora, porém, ainda não vemos que tudo lhe esteja submisso"(Hb 2,8).

4. Chamados a evangelizar também por meio do martírio

Neste dia dedicado às missões, recordo na oração aqueles que fizeram de suas vidas uma exclusiva consagração ao trabalho de evangelização. Menciono em particular as Igrejas locais, os missionários e missionárias que testemunham e propagam o Reino de Deus em situações de perseguição, com formas de opressão que vão desde a discriminação social até a prisão, a tortura e a morte. Não são poucos aqueles que atualmente são levados à morte por causa de seu "Nome". É ainda de grande atualidade o que escreveu o meu venerado Predecessor Papa João Paulo II: "A comemoração jubilar descerrou-nos um cenário surpreendente, mostrando o nosso tempo particularmente rico de testemunhas, que souberam, ora dum modo ora doutro, viver o Evangelho em situações de hostilidade e perseguição até darem muitas vezes a prova suprema do sangue" (Novo millennio ineunte, 41).

A participação na missão de Cristo, de fato, destaca também a vida dos anunciadores do Evangelho, aos quais é reservado o mesmo destino de seu Mestre. "Lembrem-vos do que eu disse: nenhum empregado é maior do que seu patrão. Se perseguiram a mim, vão perseguir a vós também " (Jo 15,20). A Igreja se coloca no mesmo caminho e passa por tudo aquilo que Cristo passou, porque não age baseando-se numa lógica humana ou com a força, mas seguindo o caminho da Cruz e se fazendo, em obediência filial ao Pai, testemunha e companheira de viagem desta humanidade.

Às Igrejas antigas como as de recente fundação, recordo que são colocadas pelo Senhor como sal da terra e luz do mundo, chamadas a irradiar Cristo, Luz do mundo, até os extremos confins da terra. A missio ad gentes deve ser a prioridade de seus planos pastorais.

Agradeço e encorajo as Pontifícias Obras Missionárias pelo indispensável trabalho a serviço da animação, formação missionária e ajuda econômica às jovens Igrejas. Por meio destas instituições pontifícias, se realiza de forma admirável a comunhão entre as Igrejas, com a troca de dons, na solicitude recíproca e na comum projetualidade missionária.

5. Conclusão

O impulso missionário sempre foi sinal de vitalidade de nossas Igrejas (cfr. Redemptoris missio, 2). É preciso, todavia, reafirmar que a evangelização é obra do Espírito, e que antes mesmo de ser ação, é testemunho e irradiação da luz de Cristo (cfr. Redemptoris missio, 26) através da Igreja local, que envia os seus missionários e missionárias para além de suas fronteiras. Rogo a todos os católicos para que peçam ao Espírito Santo que aumente na Igreja a paixão pela missão de proclamar o Reino de Deus e ajudar os missionários, as missionárias e as comunidades cristãs empenhadas nesta missão, muitas vezes em ambientes hostis de perseguição.

Ao mesmo tempo, convido todos a darem um sinal crível da comunhão entre as Igrejas, com uma ajuda econômica, especialmente neste período de crise que a humanidade está vivendo, a fim de colocar as jovens Igrejas em condições de iluminar as pessoas com o Evangelho da caridade.

Nos guie em nossa ação missionária a Virgem Maria, Estrela da Evangelização, que deu ao mundo Cristo, luz das nações, para que leve a salvação "até aos extremos da terra"(At 13,47).

A todos, a minha Bênção.

Cidade do Vaticano, 29 de junho de 2009


BENEDICTUS PP. XVI

Fonte: www.vatican.va

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

MÊS DE OUTUBRO – MÊS DAS MISSÕES

INTENÇÃO MISSIONÁRIA
“Para que todo o Povo de Deus, por quem foi confiado a Cristo o mandato de ir e pregar o Evangelho a cada criatura, assuma com empenho a sua própria responsabilidade missionária e considere-a como o mais elevado serviço que pode oferecer à humanidade”.


Comentário à Intenção Missionária indicada pelo Santo Padre para o mês de outubro de 2009

Jesus Cristo foi enviado pelo Pai para a salvação dos homens. “Deus, de fato, não mandou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas confia à Igreja o mandato de prolongar a sua missão no mundo. “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Nos anos seguintes ao Concílio Vaticano II, disseminaram-se algumas correntes teológicas que, mal interpretando os textos conciliares, tentavam pôr em dúvida a necessidade da missão Ad Gentes. Consideravam que pregar a fé a outros homens era um atentado à sua liberdade. O Concílio afirmou: “Nem a divina Providência nega a ajuda necessária para a salvação daqueles que ainda não chegaram ao claro entendimento e reconhecimento de Deus, mas se esforçam, não sem a graça divina, para levar uma vida reta” (LG, 16). Por que então pregar o Evangelho se eles já podem conseguir a salvação?
Em sua Mensagem para o Dia Missionário Mundial 2009, que será celebrado no domingo, 18 de outubro, o Santo Padre Bento XVI recorda que a Igreja não prega o Evangelho por ânsia de poder ou domínio das pessoas: “Reafirmo com força muitas vezes o que foi dito pelos meus veneráveis Antecessores: a Igreja não age para ampliar o seu poder ou afirmar o seu domínio, mas para levar a todos o Cristo, salvação do mundo” (Mensagem para o Dia Missionário de 2009, introdução). Ao contrário: conhecer Cristo é encontrar a liberdade! Todos os homens têm direito de receber a Boa Notícia do amor de Deus e de alcançar a plenitude humana ao chegarem a ser filhos de Deus.
A Igreja tem uma vocação de serviço, à imagem do seu Mestre, que “não veio para ser servido, mas para servir”. Assim, o Santo Padre afirma: “Nós não queremos mais do que nos colocar a serviço da humanidade, especialmente daquela que mais sofre e é marginalizada” (Mensagem para o Dia Missionário de 2009, introdução).
A humanidade dos nossos tempos está vivenciando um desenvolvimento impensável no âmbito das ciências e da técnica, ao mesmo tempo, parece sofrer de um grave esquecimento dos valores mais profundos do homem. João Paulo II afirmava na encíclica “Redemptoris Missio”, que o homem contemporâneo perdeu o sentido das realidades principais e da sua própria existência (cfr RM, 2). Sendo assim, é parte essencial da missão da Igreja iluminar o caminho do homem apresentando Cristo, Luz de todos os povos.
“A humanidade inteira, na verdade, tem a vocação radical de retornar à sua origem, que é Deus, no Qual somente encontrará o seu cumprimento final por meio da restauração de todas as coisas em Cristo” (Mensagem para o Dia Missionário de 2009, n.1). A Igreja recebeu esta missão e não pode não ser fiel a ela. Anunciar Cristo não é uma tarefa qualquer, é o centro da vida e da missão da Igreja. A missão universal deve converter-se e uma constante fundamental da vida da Igreja. Anunciar o Evangelho, recorda ainda o Santo Padre, deve ser para nós, como foi para o Apóstolo Paulo, um empenho improrrogável e primordial.
A missão é tão essencial para a Igreja que os seus membros devem estar dispostos a dar testemunho de Cristo mesmo ao preço de sacrificar a própria vida. O sangue continua a ser o testemunho mais eloquente do amor por Deus e pelos homens. A Igreja deve enfrentar o mesmo destino do seu Mestre. “Recordai a palavra que eu vos disse: um servo não é maior do que seu patrão. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir” (Jo 15,20). A Igreja, portanto, segue o mesmo caminho e enfrenta o mesmo destino de Cristo, porque não age segundo uma lógica humana ou contando com as razões da força, mas seguindo o caminho da Cruz, e fazendo-se, em obediência filial ao Pai, testemunha e companhia de viagem desta humanidade.
Neste mês de outubro, mês missionário, somos chamados a intensificar a oração para o Espírito Santo, alma da missão, para que aumente na Igreja inteira, em todo o povo de Deus, a paixão de anunciar o Evangelho a todos os homens.

Fonte: Agência Fides