segunda-feira, 21 de junho de 2010

I CONGRESSO MISSIONÁRIO NACIONAL DE SEMINARISTAS


A formação missionária dos futuros padres é uma das preocupações do Conselho Missionário Nacional (Comina) e da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados da CNBB, que promovem, de 4 a 10 de julho, o primeiro Congresso Missionário exclusivamente para seminaristas e formadores dos futuros padres. O Congresso, que será acolhido pelo Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, reunirá 150 seminaristas a partir do 3º ano de filosofia e 50 formadores.

A abertura do Congresso será no dia 4, às 19h, com missa presidida pelo secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa. “O objetivo do congresso é ajudar os seminaristas do Brasil a assumir a dimensão missionária universal da vocação cristã e presbiteral”, explica o diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM), padre Daniel Lagni.

O Congresso vai discutir o tema “formação presbiteral para uma missão sem fronteiras”. “Por ocasião do Ano Sacerdotal, pareceu-nos oportuno promover um evento que fosse avaliação da caminhada feita e articulação, reflexão, compromisso e avanço em vista de uma formação presbiteral profundamente missionária”, acrescenta padre Daniel.

Uma cartilha foi elaborada pelos organizadores do Congresso e deverá ser estudada previamente pelos seminaristas que se inscreveram para o Congresso. Cartazes também foram distribuídos por todos os regionais da CNBB, divulgando o evento.

O evento é organizado pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), Centro Cultural Missionário (CCM) e pelas Comissões Episcopais para Animação Missionária e para os Ministérios Ordenados, ambas da CNBB. As entidades contam com o apoio da paróquia Divino Espírito Santo, de Brasília.

Fonte: CNBB

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Xaverianos contestam relatório da ONU sobre guerra congolesa


Os missionários xaverianos na República Democrática do Congo manifestaram seu repúdio a um relatório das Nações Unidas destinado ao Conselho de Segurança. O documento trata do embargo de armas destinadas aos grupos armados que atuam no leste e sobre a exploração ilegal dos recursos minerais.

Apesar de "estritamente confidencial", muitos órgãos de imprensa publicaram trechos do relatório, em que associações humanitárias e indivíduos, missionários inclusive, teriam contribuído para financiar as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR). O relatório faz referência a uma ajuda de dois dólares de dois missionários italianos para a compra de telas de plástico para os tetos de cabanas improvisadas, de remédios e material didático.

"É prioritário olhar para o grande número de refugiados civis, um povo errante que há 15 anos vagueia e sobrevive nas florestas. Cercado pela guerra e esquecido pelas organizações humanitárias internacionais, incluindo a ONU, os refugiados civis não tinham realmente nenhum direito à assistência? Segundo a lógica do relatório, portanto, deveriam deixar esta gente morrer de fome, de frio e de doenças somente porque estão na área dos vencidos?" - afirma uma nota divulgada ontem pela Casa Geral dos Xaverianos.

"A imprensa dedicou muitas linhas a esses últimos casos, extrapolando os fatos do contexto e interpretando-os de modo grosseiro e tendencioso. Pergunta-se o porquê disso. Não há o risco de descarregar nos missionários e nas pequenas associações humanitárias a constrangedora e escandalosa participação de conhecidas sociedades mineradoras e governos ocidentais, e mais, na perversa combinação de exploração ilegal dos recursos, comércio clandestino de armas, estratégias geopolíticas e continuação do conflito?" – reagem os missionários. (BF)

Fonte: Radio Vaticano

domingo, 15 de novembro de 2009

INTENÇÃO MISSIONÁRIA PARA O MÊS DE NOVEMBRO - 2009

“Que os fiéis das diversas religiões, com o testemunho de vida e mediante um diálogo fraterno, dêem uma clara demonstração que o nome de Deus é portador de paz”



Comentário sobre a Intenção missionária, indicada pelo Santo Padre para o mês de novembro de 2009


A paz é um dos valores que o nosso mundo mais necessita. Os conflitos bélicos sucederam-se no último século, como nunca tinha acontecido em nenhuma outra época da história. Morte, destruição, divisão e ódio são os frutos terríveis deste flagelo. A violência gera violência, e os homens destroem-se uns aos outros. O homem contemporâneo busca a paz e tem necessidade dela, para se reconstruir interiormente.

Os fiéis devem ser portadores de paz, porque Deus é o Deus da paz. Não poderá existir esta paz, se cada um se preocupar exclusivamente com seus próprios interesses e não trabalhar para o bem comum. Na sua visita à Terra Santa, em maio deste ano, o Papa Bento XVI recordou que a paz é antes de tudo um dom divino, que deve ser buscado com todo o coração. Desta afirmação entende-se que a paz deve ser implorada, pedida, pois é um dom divino, e ao mesmo tempo deve também ser buscada, pois ela exige o esforço dos homens. Jesus chama “bem-aventurados” e autênticos filhos de Deus os que trabalham pela paz.

O Concílio Vaticano II, falando das outras religiões, na declaração Nostra Aetate, afirma: “A Igreja Católica não rejeita o que tem de verdadeiro e santo nessas religiões. Ela considera com sincero respeito seu modo de agir e de viver, os preceitos e as doutrinas que, embora se diferenciem em muitos pontos daquilo em que ela mesma crê e propõe, não raramente refletem um raio daquela verdade que ilumina todos os homens. Todavia, ela anuncia e deve anunciar o Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), no qual os homens devem encontrar a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas” (NA 2).

No diálogo com as outras religiões, a Igreja não pretende tornar relativas as verdades definitivas da revelação divina que recebeu. Não pretende apresentar o Cristo como um caminho de salvação entre outros. De fato, não nos foi dado sob o céu nenhum outro nome pelo qual possamos ser salvos. Mantendo esta unicidade da mediação salvífica do Cristo, a Igreja, no entanto, “exorta seus filhos, para que, com prudência e caridade, por meio do diálogo e da colaboração com os seguidores de outras religiões, dando testemunho da fé e da vida cristã, reconheçam, conservem e façam progredir os valores espirituais, morais e socioculturais que se encontram nelas” (NA 2).

Para o Papa Bento XVI, “a contribuição particular das religiões na busca da paz fundamenta-se antes de tudo na busca entusiasta e concorde de Deus” (visita de cortesia ao presidente do Estado de Israel em 11 de maio), pois é a presença dinâmica de Deus que reúne os corações e assegura a unidade.

Voltando de sua peregrinação à Terra Santa, encontrando os jornalistas no avião, o Santo Padre afirmou: “Encontrei em todos os lugares, em todos os ambientes, muçulmanos, cristãos, judeus, uma decidida disponibilidade ao diálogo interreligioso, ao encontro, à colaboração entre as religiões. É importante que todos vejam isto não apenas como uma ação – digamos – inspirada por motivos políticos, mas como fruto do próprio núcleo da fé, porque crer em um único Deus que nos criou a todos, Pai de todos nós, crer neste Deus que criou a humanidade como uma família, crer que Deus é amor e quer que o amor seja a força dominante no mundo, implica este encontro, esta necessidade do encontro, do diálogo, da colaboração como exigência da própria fé” (vôo papal em 15 de maio).

Na ordem social, a paz implica a busca da justiça, da integridade e da segurança. Para promover estes valores existe um único caminho possível, que é vivê-los. O Papa afirmou que para construir a paz é necessário “olhar o outro nos olhos e reconhecer o ‘tu’ como meu semelhante, meu irmão, minha irmã” (visita de cortesia ao presidente do Estado de Israel em 11 de maio). Se os fiéis viverem em paz e procurarem a paz, a sociedade se transformará.

Um valor fundamental para construir a paz é o perdão. Somente quem tem a força e a humildade de perdoar pode ser arauto da paz. O rancor gera divisão interior e violência. O perdão gera a paz interior, reconstrói o homem e torna-o forte, à imagem do Deus Onipotente, que é misericórdia e perdão.

Na nossa oração deste mês, pedimos, portanto a Santa Maria, mãe de todos os homens, Rainha da Paz, que interceda pelos seus filhos, para que a busca sincera “de tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável” faça que “o Deus da paz” esteja sempre conosco (cf. Fl 4,8-9).

Fonte: Agência Fides

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL DE 2009 - (18 de Outubro)

"As nações caminharão à sua luz" (Ap 21, 24)


Neste domingo dedicado às missões, me dirijo sobretudo a vós, Irmãos no ministério episcopal e sacerdotal, e também aos irmãos e irmãs do Povo de Deus, a fim de vos exortar a reavivar em si a consciência do mandato missionário de Cristo para que "todos os povos se tornem seus discípulos" (Mt 28,19), seguindo as pegadas de São Paulo, o Apóstolo dos Gentios.

"As nações caminharão à sua luz" (Ap 21, 24). O objetivo da missão da Igreja é iluminar com a luz do Evangelho todos os povos em seu caminhar na história rumo a Deus, pois Nele encontramos a sua plena realização. Devemos sentir o anseio e a paixão de iluminar todos os povos, com a luz de Cristo, que resplandece no rosto da Igreja, para que todos se reúnam na única família humana, sob a amável paternidade de Deus.

É nesta perspectiva que os discípulos de Cristo espalhados pelo mundo trabalham, se dedicam, gemem sob o peso dos sofrimentos e doam a vida. Reitero com veemência o que muitas vezes foi dito pelos meus Predecessores: a Igreja não age para ampliar o seu poder ou reforçar o seu domínio, mas para levar a todos Cristo, salvação do mundo. Pedimos somente de nos colocar a serviço da humanidade, sobretudo da daquela sofredora e marginalizada, porque acreditamos que "o compromisso de anunciar o Evangelho aos homens de nosso tempo... é sem dúvida alguma um serviço prestado à comunidade cristã, mas também a toda a humanidade"(Evangelii nuntiandi, 1), que "apesar de conhecer realizações maravilhosas, parece ter perdido o sentido último das coisas e de sua própria existência"(Redemptoris missio, 2).

1. Todos os Povos são chamados à salvação

Na verdade, a humanidade inteira tem a vocação radical de voltar à sua origem, que é Deus, somente no Qual ela encontrará a sua plenitude por meio da restauração de todas as coisas em Cristo. A dispersão, a multiplicidade, o conflito, a inimizade serão repacificadas e reconciliadas através do sangue da Cruz e reconduzidas à unidade.

O novo início já começou com a ressurreição e a exaltação de Cristo, que atrai a si todas as coisas, as renova, as tornam participantes da eterna glória de Deus. O futuro da nova criação brilha já em nosso mundo e acende, mesmo se em meio a contradições e sofrimentos, a nossa esperança por uma vida nova. A missão da Igreja é "contagiar" de esperança todos os povos. Por isto, Cristo chama, justifica, santifica e envia os seus discípulos para anunciar o Reino de Deus, a fim de que todas as nações se tornem Povo de Deus. É somente nesta missão que se compreende e se confirma o verdadeiro caminho histórico da humanidade. A missão universal deve se tornar uma constante fundamental na vida da Igreja. Anunciar o Evangelho deve ser para nós, como já dizia o apóstolo Paulo, um compromisso impreterível e primário.

2. Igreja peregrina

A Igreja Universal, sem confim e sem fronteiras, se sente responsável por anunciar o Evangelho a todos os povos (cfr. Evangelii nuntiandi, 53). Ela, germe de esperança por vocação, deve continuar o serviço de Cristo no mundo. A sua missão e o seu serviço não se limitam às necessidades materiais ou mesmo espirituais que se exaurem no âmbito da existência temporal, mas na salvação transcendente que se realiza no Reino de Deus. (cfr. Evangelii nuntiandi, 27). Este Reino, mesmo sendo em sua essência escatológico e não deste mundo (cfr. Jo 18,36), está também neste mundo e em sua história é força de justiça, paz, verdadeira liberdade e respeito pela dignidade de todo ser humano. A Igreja mira em transformar o mundo com a proclamação do Evangelho do amor, "que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir e... deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo" (Deus caritas est, 39). Esta é a missão e o serviço que, também com esta Mensagem, chamo a participar todos os membros e instituições da Igreja.

3. Missio ad gentes

A missão da Igreja é chamar todos os povos à salvação realizada por Deus em seu Filho encarnado. É necessário, portanto, renovar o compromisso de anunciar o Evangelho, fermento de liberdade e progresso, fraternidade, união e paz (cfr. Ad gentes, 8). Desejo "novamente confirmar que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja"(Evangelii nuntiandi, 14), tarefa e missão que as vastas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Está em questão a salvação eterna das pessoas, o fim e a plenitude da história humana e do universo. Animados e inspirados pelo Apóstolo dos Gentios, devemos estar conscientes de que Deus tem um povo numeroso em todas as cidades percorridas também pelos apóstolos de hoje (cfr. At 18, 10). De fato, "a promessa é em favor de todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar "(At 2,39).

Toda a Igreja deve se empenhar na missio ad gentes, enquanto a soberania salvífica de Cristo não está plenamente realizada: "Agora, porém, ainda não vemos que tudo lhe esteja submisso"(Hb 2,8).

4. Chamados a evangelizar também por meio do martírio

Neste dia dedicado às missões, recordo na oração aqueles que fizeram de suas vidas uma exclusiva consagração ao trabalho de evangelização. Menciono em particular as Igrejas locais, os missionários e missionárias que testemunham e propagam o Reino de Deus em situações de perseguição, com formas de opressão que vão desde a discriminação social até a prisão, a tortura e a morte. Não são poucos aqueles que atualmente são levados à morte por causa de seu "Nome". É ainda de grande atualidade o que escreveu o meu venerado Predecessor Papa João Paulo II: "A comemoração jubilar descerrou-nos um cenário surpreendente, mostrando o nosso tempo particularmente rico de testemunhas, que souberam, ora dum modo ora doutro, viver o Evangelho em situações de hostilidade e perseguição até darem muitas vezes a prova suprema do sangue" (Novo millennio ineunte, 41).

A participação na missão de Cristo, de fato, destaca também a vida dos anunciadores do Evangelho, aos quais é reservado o mesmo destino de seu Mestre. "Lembrem-vos do que eu disse: nenhum empregado é maior do que seu patrão. Se perseguiram a mim, vão perseguir a vós também " (Jo 15,20). A Igreja se coloca no mesmo caminho e passa por tudo aquilo que Cristo passou, porque não age baseando-se numa lógica humana ou com a força, mas seguindo o caminho da Cruz e se fazendo, em obediência filial ao Pai, testemunha e companheira de viagem desta humanidade.

Às Igrejas antigas como as de recente fundação, recordo que são colocadas pelo Senhor como sal da terra e luz do mundo, chamadas a irradiar Cristo, Luz do mundo, até os extremos confins da terra. A missio ad gentes deve ser a prioridade de seus planos pastorais.

Agradeço e encorajo as Pontifícias Obras Missionárias pelo indispensável trabalho a serviço da animação, formação missionária e ajuda econômica às jovens Igrejas. Por meio destas instituições pontifícias, se realiza de forma admirável a comunhão entre as Igrejas, com a troca de dons, na solicitude recíproca e na comum projetualidade missionária.

5. Conclusão

O impulso missionário sempre foi sinal de vitalidade de nossas Igrejas (cfr. Redemptoris missio, 2). É preciso, todavia, reafirmar que a evangelização é obra do Espírito, e que antes mesmo de ser ação, é testemunho e irradiação da luz de Cristo (cfr. Redemptoris missio, 26) através da Igreja local, que envia os seus missionários e missionárias para além de suas fronteiras. Rogo a todos os católicos para que peçam ao Espírito Santo que aumente na Igreja a paixão pela missão de proclamar o Reino de Deus e ajudar os missionários, as missionárias e as comunidades cristãs empenhadas nesta missão, muitas vezes em ambientes hostis de perseguição.

Ao mesmo tempo, convido todos a darem um sinal crível da comunhão entre as Igrejas, com uma ajuda econômica, especialmente neste período de crise que a humanidade está vivendo, a fim de colocar as jovens Igrejas em condições de iluminar as pessoas com o Evangelho da caridade.

Nos guie em nossa ação missionária a Virgem Maria, Estrela da Evangelização, que deu ao mundo Cristo, luz das nações, para que leve a salvação "até aos extremos da terra"(At 13,47).

A todos, a minha Bênção.

Cidade do Vaticano, 29 de junho de 2009


BENEDICTUS PP. XVI

Fonte: www.vatican.va

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

MÊS DE OUTUBRO – MÊS DAS MISSÕES

INTENÇÃO MISSIONÁRIA
“Para que todo o Povo de Deus, por quem foi confiado a Cristo o mandato de ir e pregar o Evangelho a cada criatura, assuma com empenho a sua própria responsabilidade missionária e considere-a como o mais elevado serviço que pode oferecer à humanidade”.


Comentário à Intenção Missionária indicada pelo Santo Padre para o mês de outubro de 2009

Jesus Cristo foi enviado pelo Pai para a salvação dos homens. “Deus, de fato, não mandou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas confia à Igreja o mandato de prolongar a sua missão no mundo. “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Nos anos seguintes ao Concílio Vaticano II, disseminaram-se algumas correntes teológicas que, mal interpretando os textos conciliares, tentavam pôr em dúvida a necessidade da missão Ad Gentes. Consideravam que pregar a fé a outros homens era um atentado à sua liberdade. O Concílio afirmou: “Nem a divina Providência nega a ajuda necessária para a salvação daqueles que ainda não chegaram ao claro entendimento e reconhecimento de Deus, mas se esforçam, não sem a graça divina, para levar uma vida reta” (LG, 16). Por que então pregar o Evangelho se eles já podem conseguir a salvação?
Em sua Mensagem para o Dia Missionário Mundial 2009, que será celebrado no domingo, 18 de outubro, o Santo Padre Bento XVI recorda que a Igreja não prega o Evangelho por ânsia de poder ou domínio das pessoas: “Reafirmo com força muitas vezes o que foi dito pelos meus veneráveis Antecessores: a Igreja não age para ampliar o seu poder ou afirmar o seu domínio, mas para levar a todos o Cristo, salvação do mundo” (Mensagem para o Dia Missionário de 2009, introdução). Ao contrário: conhecer Cristo é encontrar a liberdade! Todos os homens têm direito de receber a Boa Notícia do amor de Deus e de alcançar a plenitude humana ao chegarem a ser filhos de Deus.
A Igreja tem uma vocação de serviço, à imagem do seu Mestre, que “não veio para ser servido, mas para servir”. Assim, o Santo Padre afirma: “Nós não queremos mais do que nos colocar a serviço da humanidade, especialmente daquela que mais sofre e é marginalizada” (Mensagem para o Dia Missionário de 2009, introdução).
A humanidade dos nossos tempos está vivenciando um desenvolvimento impensável no âmbito das ciências e da técnica, ao mesmo tempo, parece sofrer de um grave esquecimento dos valores mais profundos do homem. João Paulo II afirmava na encíclica “Redemptoris Missio”, que o homem contemporâneo perdeu o sentido das realidades principais e da sua própria existência (cfr RM, 2). Sendo assim, é parte essencial da missão da Igreja iluminar o caminho do homem apresentando Cristo, Luz de todos os povos.
“A humanidade inteira, na verdade, tem a vocação radical de retornar à sua origem, que é Deus, no Qual somente encontrará o seu cumprimento final por meio da restauração de todas as coisas em Cristo” (Mensagem para o Dia Missionário de 2009, n.1). A Igreja recebeu esta missão e não pode não ser fiel a ela. Anunciar Cristo não é uma tarefa qualquer, é o centro da vida e da missão da Igreja. A missão universal deve converter-se e uma constante fundamental da vida da Igreja. Anunciar o Evangelho, recorda ainda o Santo Padre, deve ser para nós, como foi para o Apóstolo Paulo, um empenho improrrogável e primordial.
A missão é tão essencial para a Igreja que os seus membros devem estar dispostos a dar testemunho de Cristo mesmo ao preço de sacrificar a própria vida. O sangue continua a ser o testemunho mais eloquente do amor por Deus e pelos homens. A Igreja deve enfrentar o mesmo destino do seu Mestre. “Recordai a palavra que eu vos disse: um servo não é maior do que seu patrão. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir” (Jo 15,20). A Igreja, portanto, segue o mesmo caminho e enfrenta o mesmo destino de Cristo, porque não age segundo uma lógica humana ou contando com as razões da força, mas seguindo o caminho da Cruz, e fazendo-se, em obediência filial ao Pai, testemunha e companhia de viagem desta humanidade.
Neste mês de outubro, mês missionário, somos chamados a intensificar a oração para o Espírito Santo, alma da missão, para que aumente na Igreja inteira, em todo o povo de Deus, a paixão de anunciar o Evangelho a todos os homens.

Fonte: Agência Fides

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CALARAM MAIS UM PROFETA NA AMAZÔNIA

Por Márcia Maria de Oliveira *

Na tarde escaldante deste dia 20 de setembro, milhares de pessoas, entre lágrimas e cantos, deram seu último adeus ao Pe. Ruggero Ruvoletto. O missionário de 52, da Diocese italiana de Pádua fora, covardemente, alvejado por um tiro certeiro, preliminarmente planejado nas rodas de "boca-de-fumo" do crime organizado de um dos bairros mais violentos da periferia da cidade de Manaus.
Na manhã do dia 19 de setembro, seu sangue profético regou o chão da Amazônia. O último gesto corajoso de Pe. Ruggero foi estampado na capa dos jornais da cidade: de joelhos junto de sua simples cama oferecera a Deus, em oração, talvez, seus últimos minutos de vida. Uma vida marcada pela missão corajosa junto aos mais pobres e excluídos da sociedade.
Desde que chegara à Amazônia no início de 2008, Pe. Ruggero iniciou sua caminhada de oblação. Com um histórico missionário de opção evangélica pelos mais pobres e esquecidos do nordeste brasileiro, em Manaus, foi designado a uma região da periferia da cidade. Aqui, encontrou inúmeros agentes de pastoral ansiosos por sua sábia ajuda. Também encontrou muitos desafios pastorais e um silêncio da população com relação à atuação do crime organizado do tráfico de drogas na região.
Sua missão, no início, desenvolveu-se timidamente num processo intenso de visita às famílias, de escuta, de abertura ao novo. Freqüentemente solicitava ajuda, nos nossos "debates sociológicos", para melhor compreender a dinâmica da cidade. Queria conhecer mais sobre os indígenas e ribeirinhos e entender porque continuam migrando, sempre em ordem crescente, para as periferias da cidade. Logo entendeu que a Amazônia vive um histórico de descaso dos poderes públicos nos municípios do interior e centraliza todos os bens e serviços nas capitais, principalmente na cidade de Manaus com seu fantasmagórico projeto de Zona Franca que canaliza todos os recursos federais para uma elite da indústria de montagem. Por isso essa realidade marcada pelo êxodo rural, pelos crimes ambientais, pelos conflitos agrários e pelas ocupações urbanas que indicam o grande déficit de políticas públicas de moradia, educação, emprego e segurança.
Sua presença simpática e acolhedora foi cirando laços de amizade e comprometimento. Sempre preocupado com as questões sociais, sugeriu a organização de um calendário permanente de debate sobre a situação das várias comunidades que atendia na Área Missionária Imaculado Coração de Maria (AMICOM). Sua intuição profética motivou várias iniciativas por parte das lideranças das comunidades e dos movimentos sociais na criação de espaços de formação permanente de lideranças tais como a Escola de Fé e Cidadania que abrange outras áreas. Não era presença somente na AMICOM. Logo passou a acompanhar a organização pastoral de outras áreas missionárias da Zona Norte da cidade. Passou a apoiar os organismos arquidiocesanos ligados à dimensão missionária e às Comunidades Eclesiais de Base.
Com uma prática litúrgica muito sensível e inculturada, fazia das celebrações eucarísticas momentos fortes de celebração da vida, das esperanças e do compromisso evangélico. Nas reflexões com os grupos nas comunidades ou nas famílias, embaixo das árvores, ou nas áreas externas nas pequenas casas, estava sempre atento aos clamores e lamentos das pessoas. Suas palavras davam novo alento e fazia o povo voltar a ter esperança em uma realidade marcada pela violência e pelo descaso das políticas públicas.
Depois de intensas reuniões e debates, juntamente com os agentes de pastoral, elaboraram uma carta-denúncia que foi lida, rezada e reformulada nas várias celebrações comunitárias. Na carta estava contido o clamor do povo que já não suporta mais tanta violência resultante do tráfico de drogas na região. Denunciava o descaso público para com a educação, o transporte coletivo, o abastecimento d’água e tantas outras deficiências por parte dos poderes públicos.
Com a carta-denúncia em mãos, o povo resolveu se pronunciar. Na manhã do dia 15 de agosto as ruas do bairro de Santa Etelvina foram tomadas pelos cantos e frases de protesto. Uma manifestação pacífica de centenas de pessoas cobrando o exercício pleno da cidadania. Esse dia marca o fim do silêncio e do medo histórico que amordaçava os moradores deste bairro. Durante a caminhada, Pe. Ruggero, o homem da palavra, não fez uso dos microfones. Sob um sol de quase 40 graus, acompanhou tudo de forma muito discreta, fotografando e distribuindo panfletos aos transeuntes e curiosos que saíam às portas para ver o povo passar.
Em dado momento, já na metade da manifestação, quando algumas pessoas lhe pediam para se pronunciar aos microfones, se aproximou e disse: "Márcia, estou pensando que é melhor eu não me pronunciar porque já vi passando algumas pessoas ligadas ao tráfico de drogas que vêm me ameaçando e me ‘aconselhando’ a deixar essas denúncias de lado. Eu lhe garanto que não vou deixar a luta porque já não é mais possível ficar calado diante de tanta violência e injustiça. Não agüento mais ouvir tantas mães desesperadas com seus filhos nas drogas sem poder fazer nada. Sei que é arriscado, mas não tenho medo".
Foi uma das últimas conversas que tivemos. Uma semana depois passou rapidamente por minha casa depois da celebração e comentou que estava animado com a repercussão da carta e da manifestação. Novamente afirmou que se sentia ameaçado por pessoas ligadas ao tráfico de drogas do bairro de Santa Etelvina que atuavam também nos bairros visinhos, especialmente no Lagoa Azul. Parecia muito preocupado, mas sempre destemido, reafirmava o compromisso com a causa da justiça. Como sempre fazia, pediu algumas orientações no campo sociológico. Queria entender por que a pouca polícia que atua nos bairros da periferia não inspira a confiança do povo? Por que os assaltos aos ônibus coletivos e residências continuam aumentando e por que o 12º Distrito Policial do Bairro continuava desativado e sem nada que o substituísse? Comentou ainda sobre o alto índice de assassinatos no bairro, quase todos ligados ao tráfico de drogas. Estava muito preocupado, principalmente com os jovens, vítimas das drogas e da prostituição. Ao se despedir toquei no assunto das ameaças. Olhou-me sereno e, sorrindo me disse: "estou tranqüilo. Sei que esse tipo de gente, quando quer matar, não manda recados".
Nas semanas que se passaram continuou se pronunciando sobre a necessidade da organização popular. Mas, parecia mais discreto do que o habitual. Talvez percebera que era preciso ter mais cautela pois estava mexendo numa "caixa preta" que envolve grandes traficantes e gente da polícia.
Após seu assassinato, a polícia trabalha com a suspeita de latrocínio. Pode ser que vão seguir com esta versão para não ter muito trabalho com a investigação. É mais simples afirmar que foi roubo seguido de assassinato. Muitos dos que estavam no velório também acreditam nesta versão. Talvez porque já estão habituados a acreditar em tudo o que a polícia diz, mesmo quando não se tem fundamentos convincentes. Entretanto, várias das milhares de pessoas que lotaram o ginásio de esportes do Santa Etelvina para se despedir do Pe. Ruggero, não acreditam nessa "orquestração". O povo sabe a verdade. Talvez tenha medo de dizer, mas o certo é que sabe que não foi nenhum "ladrãozinho", como afirma a polícia que alvejou o padre. Pode até ser que um ladrãozinho tenha sido contratado para disparar o tiro certeiro. Mas, todos sabem que por traz disso estão os controladores do tráfico que se sentiam incomodados com a atuação do Pe. Ruggero.
Desde que se espalhou a notícia, a comoção tomou conta de todos. Centenas de pessoas, durante todo o dia de sábado estiveram organizando o local do velório, preparando os cartazes de despedida, ensaiando os cantos e o último adeus. A chegada do corpo tomou a todos de grande comoção. Durante toda a noite de sábado e a manhã deste domingo, as comunidades se revezaram para prestar sua última homenagem. Algumas pessoas vinham de longe, trazendo flores dos seus jardins, como é costume na região. Uma adolescente "coroinha" trouxe pétalas vermelhas e espalhou ao redor do caixão. Chorava e falava baixinho com ele certa de que era escutada. Os idosos se aproximavam e o chamavam de "filho querido". Foram inúmeras as demonstrações de carinho e emoção junto ao caixão. Na celebração da oblação, um gesto muito forte: representantes das várias comunidades se aproximaram do caixão no momento do ofertório, o levantaram e o ofereceram ao altar da imolação. Nas falas e nos cartazes o destaque era o clamor por justiça.
Até a hora da despedida, o povo seguiu cantando "se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão!" Todos os momentos de oração e celebração foram marcados por muitos gestos que falavam por si e por cânticos alegres e muito bem cantados seguindo o ritmo das águas dos rios e da sinfonia da floresta e das coisas bonitas da Amazônia.
No início desta manhã, um sinal importante indicava que "a semente que caiu na terra vai logo brotar": Os agentes de pastoral da AMICOM e as lideranças dos movimentos sociais se reuniram logo cedo, ali mesmo, num cantinho do ginásio e formularam um pequeno panfleto exigindo justiça. Deliberaram as tarefas e em poucas horas, o folheto já havia sido digitado, fotocopiado e distribuído a todas as pessoas que estiveram na celebração enquanto alguns jovens saíram pelas ruas do bairro distribuindo-o a todos e convocando para uma manifestação no dia seguinte à missa de sétimo dia. O resumo do folheto afirma que a morte do Pe. Ruggero não será em vão. O último parágrafo é digno de reprodução neste breve ensaio: "Por isso gritamos que chega de violência! Queremos paz e ação enérgica do governo que tem sido incompetente e mentiroso afirmando que, por causa dele, devemos ter orgulho de ser amazonenses".
Resta concluir que o Pe. Ruggero é mais um mártir da Amazônia e que sua luta seguirá na vez e na voz de todos aqueles e aquelas que descobriram que sua esperança está na força da união. Essa gente, ninguém mais segura. Oxalá que o sangue derramado deste profeta regue o chão da Amazônia e produza muitos frutos de justiça.
Manaus, 21 de setembro de 2009.

* Socióloga e Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. Coordenadora do Departamento de Educação do Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social - SARES

Fonte: Adital

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Informativo sobre o lançamento do subsídio "Caminhando nº23"


Dia 29 de setembro de 2009. As 19h30min na Igreja de Nossa senhora de Guadalupe em Curitiba. Durante a missa presidida pelo arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom Moacir José Viti. Vai acontecer o lançamento do “caminhando nº23”; subsidio arquidiocesano para grupos de reflexão nas famílias para o ano todo, onde a equipe do Centro Cultural Conforti contribuiu na preparação de dois encontros a respeito da Paróquia Missionária.



Fonte: Centro Cultural Conforti